Julho/2018

Capítulo 5 - Escola, lugar de aprender a con-viver

Texto básico: Regiane Silva
Redação final: Marta Gil

Palavras chave

Acessibilidade atitudinal; Barreiras atitudinais; Base Nacional Comum Curricular; Bullying; Conflito; Competências socioemocionais; Convivência; Diferença; Diversidade; Empatia; Estereótipos; Estratégias colaborativas; Família; Piedade; Preconceito; Projeto Político Pedagógico (PPP); Rede; Rejeição; Segregação.

Utilize este link para baixar o arquivo do Capítulo 5 – Escola, lugar de aprender a con-viver

Sumário

Resumo

Quando atitudes viram barreiras

A Diversidade sempre esteve na escola

Bullying: o que é?

Bullying na escola

Bullying não combina com Educação Inclusiva

Iniciativas do Poder Público contra o bullying | Lei n.o 13.185 | Programa “Justiça nas Escolas”

Como lidar com brincadeiras que machucam a alma?

O que as escolas podem fazer

Como registrar estratégias colaborativas?

Quem pode ser alvo de bullying | Sinais que alguém está sendo agredido | Como contar para a classe sobre a deficiência de um colega? | E quando o comportamento de um aluno com deficiência difere do contexto?

Bullying contra alunos com deficiência: o que fazer?

É possível resistir ao bullying?

Presença do preconceito na escola

Professores e barreiras atitudinais

Como surgem as barreiras atitudinais

A escola e as barreiras atitudinais

A escola e o preconceito

Competências socioemocionais | Conceito | Competências socioemocionais e bullying | Competências socioemocionais e o PPP | Relatos de iniciativas em rede | O PPP e o diálogo sobre inclusão | Escola, família e questões socioemocionais

Concluindo o capítulo 5

Referências do capítulo

Artigos publicados em sites

Saiba mais | Textos | Softwares | Vídeos | Livros infantis | Imagem


Resumo

Caro Professor[1], neste capítulo, vamos abordar o tema da convivência na escola, que traz lembranças gostosas, de conversas com amiguinhas e amiguinhos, brincadeiras na entrada, na hora do recreio, risadas e cumplicidade - quem não trocava segredinhos?

Porém, também pode trazer lembranças difíceis e até dolorosas, em alguns casos: de crianças caçoando de colegas que têm alguma característica que pode ser considerada “diferente”, como: “orelhas de abano”, óculos, peso acima do que se convencionou considerar “normal”, cor da pele, sotaque ou mesmo a presença de alguma deficiência, qualquer que seja. Essas características são rapidamente identificadas e a criança recebe um apelido pejorativo. A partir deste momento, esse apelido passa a definir a pessoa como um todo: seus talentos e capacidades são ignorados.

Essa criança passa a ser hostilizada e, para se proteger, muitas vezes se isola, num cantinho, desejando ser invisível, querendo que o recreio acabe para voltar à sala de aula. Muitas vezes quer sair da escola ou inventa desculpas para faltar.

Infelizmente, esse processo, doloroso e cruel, sempre existiu, ao longo da História: os seres humanos reagem, muitas vezes de modo negativo, a tudo que desconhecem – pode ser uma comida, um idioma, uma roupa, um equipamento ou uma pessoa com um jeito de ser que seja considerado “diferente”. E, ao invés de se aproximar e querer conhecer, colocam um apelido, que “pega” rapidamente. Aí começa a zoada.

Vamos conversar sobre conceitos, valores e atitudes sobre as diferenças humanas, que geram as barreiras de atitude e de comportamento, para compreendê-los e refletir sobre como desconstrui-los.

Estamos abordando a convivência pelo seu lado mais complexo e desafiador: os comportamentos caracterizados pela discriminação, preconceito e intimidação sistemática (termo utilizado para bullying, em português) – justamente porque nossa intenção, ao dar visibilidade a eles é apontar estratégias e iniciativas que deem ideias para sua atuação em sala de aula.

Crianças aprendem valores e atitudes na família e na escola, pela fala, pelos exemplos, pela interação com colegas e adultos, pelas atividades desenvolvidas e materiais didáticos utilizados.

Portanto, família e escola devem agir em sintonia, estimulando valores e atitudes de respeito e criando oportunidades de interação. E, caso seja identificada alguma atitude de discriminação, de preconceito, de bullying é importante comunicar, verificar qual deve ser o caminho a tomar e agir rapidamente, em conjunto.

Parafraseando Martin Luther King, além de aprender a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, precisamos aprender a conviver como irmãos.

Trazemos, também, exemplos de práticas desenvolvidas por educadores, com resultados positivos. Esperamos que inspirem suas ações.

Boa leitura!


Notas:

[1] Temos compromisso com a promoção da igualdade de gênero. Somos defensores da equidade de direitos entre homens e mulheres. Nesta publicação, optamos por não flexionar as palavras para garantir a legibilidade do texto.

 

Quando atitudes viram barreiras

Dar apelidos que destacam uma característica física ou modo de ser na maioria das vezes não tem graça – não é uma “brincadeirinha inocente”, como alguns acham.

Basta perguntar para quem recebe o apelido se gosta de ser chamado assim: a resposta provavelmente será “Não”.

Dar esse tipo de apelido, fazer piadinhas, caretas ou caçoar são exemplos de barreiras atitudinais, que impedem de conhecer a pessoa, em sua totalidade.

São obstáculos que, embora não sejam visíveis, como muros ou degraus, isolam a pessoa que é o alvo das “gracinhas” dos outros.

Barreiras atitudinais são mais complexas que as barreiras arquitetônicas e nem sempre seus autores as reconhecem como sendo atitudes de preconceito e discriminação – justificam dizendo que “É apenas uma brincadeira”, “Ele não tem senso de humor” ou ainda “Vai passar, é só uma fase”.

Porém, essas “brincadeiras” não tem graça nenhuma e podem machucar profundamente as pessoas.

É importante prestar atenção nessas atitudes, que disfarçam a existência de preconceitos, para refletir sobre as diferenças humanas, sempre de forma respeitosa e com naturalidade.

A deficiência é uma dentre todas as possibilidades do ser humano . Portanto, deve se considerada como um fato natural que nós mostramos e de que falamos, do mesmo modo que fazemos em relação a todas as outras potencialidades humanas"

UNESCO, 1977

Apelidos e piadinhas destacam aspectos que o grupo majoritário considera que são diferentes e, mais do que isso, inferiorizam a pessoa.

Porém, como constata Reinaldo Bulgarelli:

Diversos somos todos.

 

A Diversidade sempre esteve na escola

A Diversidade sempre esteve na escola. E também no trabalho, na rua, na igreja, no campo de futebol ...em todos os lugares.

É fácil entender: a Diversidade faz parte da Vida, do reino animal, vegetal e mineral. Ela é uma marca registrada do planeta Terra.

Porém, muitas vezes a Diversidade precisou se disfarçar e se esconder, para fingir que “era igual a todo mundo”, porque há atitudes de estranhamento e de exclusão do que é diferente.

Respeitar e, mais do que isso, valorizar a Diversidade é uma mudança cultural urgente e necessária a ser assumida como meta prioritária pela gestão escolar.

Felizmente essa situação está mudando, embora de modo lento e gradual. A Diversidade está cada vez mais visível e ocupa espaços na sociedade, inclusive na escola, pública e privada. Estamos aprendendo que a convivência pode ser enriquecedora e divertida, alargando horizontes e trazendo aprendizado para todos.

“O diferente e o incomum são nosso ponto de encontro. Somos, sim, todos diferentes, como você mesma falou. Mas somos únicos também. Não queira ser igual a ninguém, porque você perderia o que lhe torna mais especial”.[2]

Porém, há um lado perverso: a Diversidade pode ser objeto de “ bullying”, palavra da língua inglesa que recentemente entrou no nosso vocabulário.


Notas:

[2] Clara cabelo laranja, de Fabiana Gutierrez.

 

Bullying: o que é?

O termo “bullying” designa todas as formas de atitudes agressivas, que podem ser físicas ou psicológicas. São atitudes intencionais e repetitivas, cujo “gatilho” (ou motivo) é alguma diferença ou característica da pessoa que é o alvo da agressão, sem que ela tenha feito alguma coisa. Ou seja, não há uma motivação evidente.

As atitudes agressivas podem ser feitas por uma ou mais pessoas, em uma relação desigual de poder: é o típico “valentão” ou “brigão”, que está sempre desafiando outros, mas que só bate em crianças menores que ele. Ou que provoca apenas quando está com outros, para “se mostrar”.

O bullying se caracteriza por ser repetitivo, por acontecer em uma relação desigual de poder (chefe x subordinado, grandão x pequeno), o que intimidar a vítima. Pode acontecer entre familiares, colegas de escola ou de trabalho.

A vítima do bullying sofre humilhação, ofensas, agressões físicas e/ou psicológicas, que podem causar danos psicológicos ou morais graves ou mesmo levar ao suicídio.

Esse é um problema mundial, que começou a ser considerado objeto de estudo acadêmico a partir da década de 1990. Assim, cada país ainda precisa encontrar uma palavra, em sua própria língua, que tenha esse significado tão amplo[3], de ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

O Brasil adotou o termo “intimidação sistemática”, na Lei nº 13.185, de 2015[4], que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática em todo o pais.

Ser excluído ou sofrer ostracismo é uma forma invisível de bullying e geralmente nós subestimamos seus impactos.

Kipling D. Williams[5]


Notas:

[3] https://novaescola.org.br/conteudo/1490/como-lidar-com-brincadeiras-que-machucam-a-alma

[4] http://www.amankay.org.br/educadorinclusivo/index.php/capitulos/capitulo-1

[5] http://bullyingnaoebrincadeiradcrianca.blogspot.com/2011/06/exclusao-social-e-bullying-silencioso-e.html

 

Bullying na escola

O bullying acontece em escolas públicas ou particulares. Ele pode ser identificado desde a pré-escola, quando crianças mostram preferência por um coleguinha e têm atitudes de agressão ou de rejeição a outros.

Importante

Não é apenas a vítima que precisa de apoio. O agressor também precisa de ajuda, pois a atitude dele indica que precisa de apoio, ajuda e conversa com os pais e professores.

Para a educadora Cléo Fante[6]:

O bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.


Notas:

[6] https://novaescola.org.br/conteudo/336/bullying-escola#

 

Bullying não combina com Educação Inclusiva

O bullying surge da não aceitação da diferença, enquanto a educação inclusiva pressupõe o reconhecimento da diferença como um valor intrinsecamente humano e o direito de cada um ser como é[7].

A CDPD – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência[8] (ONU, 2006) garante não somente a presença, mas também exige que a escola se organize de modo a garantir o pleno desenvolvimento do potencial do aluno, o que inclui “o respeito à sua dignidade”. Ou seja, o bem estar das crianças com deficiência, na escola, é um direito garantido em lei, pois a Convenção foi ratificada pelo Brasil com equivalência de Constituição Federal (Decreto Executivo 6.949/2009)[9]

O bullying é irmão gêmeo da exclusão.

Jairo Marques


Notas:

[7] http://diversa.org.br/forum/como-familia-gestao-podem-trabalhar-juntos-caso-bullying-na-escola

[8] http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/convencaopessoascomdeficiencia.pdf

[9] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm

 

Iniciativas do Poder Público contra o bullying

O bullying assumiu tal proporção que exigiu posicionamentos do Poder Público: a formulação do Programa de Combate à Intimidação Sistemática e a criação do projeto Justiça nas Escolas.

Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015[10]

Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática ( bullying) que traz a seguinte definição, no parágrafo primeiro do Artigo primeiro:

§ 1o No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática ( bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

A área da Educação (Ministério, secretarias estaduais e municipais) é citada especificamente na lei, que também pode ser aplicada a outros órgãos.

Segundo o texto da lei, a punição dos agressores deve ser evitada “tanto quanto possível” em prol de alternativas que promovam a mudança de comportamento hostil.

Programa “Justiça nas Escolas”[11]

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) elaborou o programa “Justiça nas Escolas”, para prevenir e combater problemas que afetam crianças e adolescentes: bullying, violência nas escolas, drogas, evasão escolar, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e outros.

Essa é uma forma de aproximar o Judiciário e as instituições de ensino, com a participação de juízes, professores, educadores, técnicos em psicologia e serviço social, alunos, pais e demais interessados. É desenvolvido em parceria com as Coordenadorias de Infância e Juventude dos Tribunais de Justiça de todo o país, associações de magistrados e órgãos ligados à educação.

Um dos seus produtos é uma Cartilha simplificada sobre bullying[12]


Notas:

[10] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13185.htm

[11] http://www.cnj.jus.br/gestao-e-planejamento/262-acoes-e-programas/programas-de-a-a-z/justica-nas-escolas/13055-justica-nas-escolas

[12] http://www.cnj.jus.br/images/programas/justica-escolas/bullyingcolegios.pdf

 

Como lidar com brincadeiras que machucam a alma

Meire Cavalcante, Mestre em Educação Inclusiva, descreve o bullying como “brincadeira que machuca a alma”[13]. Em artigo publicado no site da Revista Nova Escola, ela dá dicas de como a escola pode lidar com esta situação.

Dicas

Para que haja um ambiente saudável na escola, Meire Cavalcante sugere:

  • Esclarecer o que é bullying;
  • Avisar que nessa escola a prática não é tolerada;
  • Conversar com os alunos e escutar atentamente suas reclamações ou sugestões;
  • Estimular os estudantes a informar sobre a ocorrência de casos;
  • Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;
  • Identificar possíveis agressores e vítimas;
  • Acompanhar o desenvolvimento de cada um;
  • Criar regras de disciplina para a classe, junto com os estudantes, em coerência com o regimento escolar;
  • Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
  • Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica de bullying;
  • Prestar atenção nos mais tímidos e calados: geralmente as vítimas se retraem.

Notas:

[13] https://novaescola.org.br/conteudo/1490/como-lidar-com-brincadeiras-que-machucam-a-alma

 

O que as escolas podem fazer

Caro Professor, sabemos que não há receitas para a educação de nenhum aluno, seja qual for sua característica. O “Guia do Educador Inclusivo” se propõe a dialogar e a trazer sugestões, que podem inspirar sua atuação na sala de aula. Aqui estão algumas:

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental: professores e supervisores podem ficar atentos nas atividades no recreio e nos intervalos de aula, para garantir que nenhuma criança seja excluída ou humilhada;
  • A direção da escola pode chamar a atenção de alunos que estejam praticando algum ato ofensivo ou preconceituoso e alertar também seus pais;
  • Promover jogos cooperativos, modificando sempre os grupos, para evitar as "panelinhas";
  • Refletir com os alunos sobre consequências que os agressores e também os alvos das agressões podem sofrer;
  • Abrir espaços de participação para os alunos, para incentivar seu protagonismo e o sentimento de pertencimento à comunidade escolar;
  • Fazer dramatizações e rodas de conversa com leituras e vídeos sobre esses temas;
  • Adotar estratégias colaborativas.

Conheça o que fez a Professora Maria Aparecida de Sousa Silva Sá, de Cajazeiras, na Paraíba:

No CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, a 460 quilômetros de João Pessoa, a solução para vencer o bullying foi investir, sobretudo, na aprendizagem.

Ao receber José, um garoto de 12 anos com necessidades educacionais especiais[14] , a professora Maria Aparecida de Sousa Silva Sá passou a conviver com a hostilidade crescente da turma de 6ª série contra ele. "Chamavam o José de doido, o empurravam e o machucavam. Como ele era apegado à rotina, mentiam para ele, dizendo que a aula acabaria mais cedo. Isso o desestabilizava e o fazia chorar", lembra.

Percebendo que era importante para o garoto saber como o dia seria encaminhado, a professora Maria Aparecida resolveu mudar: "Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte. Assim, ele descobria antes o que iria aprender".

Quer saber o resultado dessa iniciativa?

Leia em: https://novaescola.org.br/conteudo/1458/bullying-contra-alunos-com-deficiencia

Na cidade de São Paulo, uma escola municipal de Educação Infantil criou um Conselho de Crianças[15]

Ao dar voz aos Pequenos Conselheiros, o ambiente físico da escola mudou para melhor, assim como as relações entre todos, graças aos canais de diálogo que foram criados. O projeto começou em 2012, com a necessidade da gestão da EMEI Dona Leopoldina em fazer um diagnóstico sobre a situação da escola. Considerando a necessidade de encontrar soluções para um diálogo cada vez maior entre crianças e adultos, a escola escolheu o caminho da constituição do Conselho de Crianças. A atividade partiu de uma escuta sensível, buscando a autonomia e autoria das crianças e construindo com elas formas de tornar a escola mais bonita, aconchegante e brincante, construindo espaços e tempos significativos para todos.

Os objetivos foram:

  • Incluir as crianças na participação da gestão democrática da escola, contribuindo para o diálogo entre elas e os adultos, respeitando a cultura infantil e fomentando a autoria na tomada de decisões sobre assuntos de interesse da escola e do entorno.
  • Criar mecanismos e estratégias para dar relevância à voz das crianças no cotidiano da educação infantil.

No Conselho as crianças são motivadas a refletir, levantar hipóteses, pesquisar, tirar conclusões, ampliar o conhecimento e avaliar o que observam e constroem sobre o mundo. Dar voz às crianças não é apenas permitir que elas falem, é reconhecer o que falam e que suas vozes possuem extrema importância.

A maneira como sentem e veem o mundo ressignifica a visão do adulto e dá credibilidade para o que apontam. Semestralmente é feita uma avaliação dos avanços e conquistas do Conselho de Escola e Conselho de Crianças.

O avanço é notório nos espaços e nas relações. Os relatos de visitantes da escola são de que ela tem "cara de criança", sem ser infantil, como o espaço respeita o tempo da infância.

A escola ficou mais colorida, alegre, com crianças mais felizes, questionadoras e críticas. Nota-se, também, mudança na postura dos adultos, que passaram a valorizar o protagonismo infantil. Caro Professor, aqui vai mais um relato, também acontecido na cidade de São Paulo. Sua autora se apresenta como pedagoga, fisioterapeuta e mãe.

Fui procurada por um colégio particular localizado no bairro da Lapa em São Paulo (SP), para assessorar o processo de inclusão de seus estudantes com deficiência. Sou fisioterapeuta, pedagoga e mãe. Da paixão pela educação e experiência no trabalho com crianças com deficiência, criei o projeto “Inclusão na Escola”, com o objetivo de auxiliar o processo de inclusão.

O grupo era composto por três alunos com Síndrome de Down, um com transtorno do espectro autista (TEA) e um com deficiência intelectual. Eles frequentavam turmas do 1º, 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental 1. Além dessa etapa, a unidade também oferecia o fundamental II e o Ensino Médio. Até aquele momento, a escola não havia desenvolvido um trabalho para orientar os professores para olhar e acolher a diversidade e as singularidades de suas crianças e adolescentes.

Os recursos eram limitados, por isso, tive o desafio de auxiliá-los durante dois meses, indo ao colégio somente uma vez por semana. Os casos eram complexos e eu precisava apresentar algo factível e que abrangesse docentes e estudantes. Nesse sentido, o foco do trabalho foi o atendimento aos educadores, pois quando eles aderem à causa, o processo flui e os alunos são acolhidos e estimulados a partir de suas potencialidades.

Primeiro, realizei uma entrevista para conhecer os estudantes com deficiência a partir do olhar dos docentes. Foi interessante a constatação de que eles pouco percebiam ou conheciam as habilidades e potencialidades das crianças, mas sabiam com detalhes quais eram suas limitações. A comunicação entre esses alunos, seus educadores e o grupo era limitada. O relacionamento entre eles estava mais para um cuidado assistencialista do que para um relacionamento de troca. Por mais que existisse a boa vontade, essa barreira limitava a evolução de um trabalho de qualidade.

Elaboramos juntos objetivos possíveis de serem alcançados em um curto prazo e traçamos estratégias para alcançá-los. O caso do Daniel (nome fictício), garoto de seis anos com Síndrome de Down foi marcante pela quebra de paradigma, evolução, retrocesso e retomada. O estudante não oralizava, fugia da sala constantemente, batia nos colegas e não realizava as atividades propostas. A professora já havia trabalhado com crianças com esse tipo de deficiência, mas estava assustada com aquele comportamento.

Para continuar a ler: http://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/especialista-inclusao-auxilia-professores-acolher-alunos-deficiencia


Notas:

[14]Conservamos o termo “necessidades educacionais especiais” em respeito ao texto original. Porém, enfatizamos que a expressão correta e aceita oficialmente é “pessoa com deficiência” e suas variações. No caso, poderia ser utilizado “garoto com deficiência”, “menino com deficiência” ou “aluno com deficiência”.

[15] https://lunetas.com.br/emei-dona-leopoldina-educacao-infantil/

 

Como registrar estratégias colaborativas?

É muito importante registrar o que foi combinado e realizado, para que os novos comportamentos façam cada vez mais parte do cotidiano.

Sugestões

  • Traçar metas compartilhadas e que favoreçam um diálogo colaborativo, onde todos podem opinar e expressar seus pensamentos, ideias e sentimentos;
  • As ações e soluções propostas precisam ser registradas, combinadas com o grupo e compartilhadas com todos, para que possam ser avaliadas periodicamente até que o grupo compreenda que as situações foram resolvidas;
  • Criar painéis, portfólios, registros com imagens, símbolos que representam a avaliação das situações são estratégias eficazes para trabalhar a memória afetiva do grupo e também para chegar à resolução de conflitos.

 

Quem pode ser alvo de bullying

As pessoas mais visadas são as que têm alguma diferença em relação ao grupo: obesidade, deficiência, baixa estatura, aspectos culturais étnicos ou religiosos que são diferentes da maioria – ou seja, diferenças que não seguem os padrões de normalidade estabelecidos em uma determinada época e local.

Os agressores exercem poder ao identificar e agredir pessoas que eles identificam como estando “fora do padrão”. As vítimas se sentem impotentes para reagir ou fazer cessar essas agressões.

Sinais que alguém está sendo agredido

  • Demonstrar falta de vontade de ir à escola;
  • Sentir-se mal perto da hora de sair de casa;
  • Pedir para trocar de escola;
  • Mostrar medo de ir ou voltar da escola;
  • Mudar frequentemente de trajeto;
  • Apresentar baixo rendimento escolar;
  • Chegar em casa com machucados inexplicáveis;
  • Tornar-se uma pessoa fechada, arredia; · Parecer angustiado, ansioso, deprimido;
  • Ter pesadelos constantes e até gritar “Socorro” ou “Me deixa” durante o sono;
  • Dizer que “perdeu” objetos ou dinheiro;
  • Evitar falar sobre o que está acontecendo, ou dar desculpas pouco convincentes para tudo;
  • Tentar ou cometer suicídio.

Como contar para a classe sobre a deficiência de um colega?

Caro Professor, como você bem sabe, cada aluno deve ser considerado individualmente.

O mais importante é não considerar o assunto como tabu e se recusar a falar sobre ele. O aluno com deficiência e sua família devem ser tratados com respeito: é possível fazer perguntas, com o intuito de conhecer para ajudar – sem fazer perguntas invasivas.

Quanto mais o professor esclarecer os outros alunos e a comunidade escolar, desconstruindo os mitos e fantasias sobre a deficiência e sobre o aluno que está chegando na escola, melhor.

Dicas

  • Primeira aula do ano letivo

Esse é um momento favorável, pois em geral, os alunos se apresentam. Contam quem são, de onde vieram, o que gostam de fazer, quantos irmãos têm, etc.

Essa pode ser uma ótima ocasião para o aluno com deficiência se apresentar, dando as mesmas informações que os demais e também pode falar sobre sua condição, eventuais recomendações, necessidade de tecnologias assistivas.

A conversa pode ser estendida para todos os alunos: eles também têm necessidades? Quais são?

É importante que o aluno com deficiência tenha apoio para a comunicação, se for necessário. Sempre que possível, ele deve falar por si mesmo.

  • Quem explica a deficiência? A professora? Os pais de quem tem deficiência? Os pais dos colegas sem deficiência?

Crianças pequenas nem sempre conseguem explicar as suas condições. Sempre que possível, recomendamos que o próprio aluno possa contar sobre suas necessidades e sua história.

  • Apoio de profissional mediador

O professor ou um mediador pode ser o interlocutor, utilizando estratégias lúdicas, dinâmicas de grupo, vídeos e/ou atividades que favoreçam a comunicação em grupo e o entrosamento entre os alunos.

  • Preparação prévia

Ao saber que vai receber um aluno com deficiência, o professor pode se preparar, conversando com a família, com especialistas (indicados pela família ou não) e com o próprio aluno.

  • Famílias de alunos que não têm deficiência

Elas podem conversar com a professora: muitos pais se preocupam, achando que a qualidade do ensino vai sofrer, pois ela vai cuidar apenas do aluno com deficiência e os seus filhos serão “abandonados”. Nem sempre os pais conhecem o direito à Educação Inclusiva e acham que a escola especial é a mais adequada para crianças com deficiência.

É importante ouvi-los e dar os esclarecimentos necessários. Assim, os pais também podem conversar com seus filhos em casa e ajuda-los a compreender as necessidades e potencialidades de seus colegas com deficiência e estimular a amizade, convidando-os para festinhas e brincadeiras em casa.

E quando o comportamento de um aluno com deficiência difere do contexto?

Às vezes, a pessoa com deficiência pode ter alguns comportamentos que são diferentes da forma que se espera.

No cotidiano escolar, o comportamento social verbal e não verbal pode impactar na forma como um aluno interage com o meio.

O homem é um animal social. Desde bebê, parte significativa de que aprendemos vem pela observação e pela imitação. Conhecer e saber utilizar estes códigos de conduta faz parte da vida em sociedade. Porém, para algumas pessoas com deficiência intelectual ou com transtorno do espectro autista, por exemplo, pode ser mais difícil adequar o seu comportamento, a partir da observação. Esses códigos podem não fazer sentido para elas.

É aqui que a escola pode ter um papel importante, sempre com delicadeza e respeito: ela pode observar o aluno em diversos momentos: na sala, no recreio, na entrada, sem julgamentos a priori. Pode conversar com a professora do AEE, com a Coordenação e com a família, para identificar a forma mais adequada de agir.

Assim, estará evitando o surgimento de situações de isolamento, pela criação de barreiras atitudinais ou até mesmo de bullying.

Não estando em conformidade com as normas dos seus pares e da sociedade no geral, desviando-se assim do que é esperado, a criança e adolescente com deficiência podem ter problemas acrescidos para conseguir a sua aceitação social, resultando em isolamento social.

A tecnologia também é uma aliada no desenvolvimento de habilidades sociais: para pessoas com autismo, por exemplo, há softwares que auxiliam a identificar a expressão de emoções. Na parte final deste capítulo há referências de sites, que podem ser úteis

Oportunidades para autoconhecimento

Como criar situações que possibilitem desenvolver a consciência pessoal e a social, isto é, os papéis que representam nos grupos a que pertencem, seja na escola, na família, no trabalho, na igreja?

A escola pode proporcionar:

  • Atividades que favoreçam o exercício do autoconhecimento: rodas de conversa, livros que tratem desse assunto, vídeos, desenhos, dramatizações que ajudem o aluno a identificar como se comunicam, como se comportam e como interagir com os demais;
  • Aproveitar situações e desafios do cotidiano escolar e de sua realidade próxima para refletir sobre si mesmo;
  • Estimular a pessoa a identificar suas necessidades e ouvir o que ela tem a dizer.

A partir dessas oportunidades, os alunos com deficiência podem tomar mais consciência de seu potencial e buscar soluções para seus desafios.

Sabemos que esses desafios são em boa parte por conta das barreiras atitudinais que vão acontecendo no cotidiano da escola.

 

Bullying contra alunos com deficiência: o que fazer?

Ana Rita Martins oferece dicas, quando os alvos do bullying são alunos com deficiência.[16]

  • Conversar sobre a deficiência do aluno com todos, na presença dele;
  • Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem, sempre que necessário;
  • Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão;
  • Exibir filmes e adotar livros em que personagens com deficiência vivenciam contextos positivos;
  • Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante para integrá-lo à turma;
  • Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o bullying.

Notas:

[16] https://novaescola.org.br/conteudo/1458/bullying-contra-alunos-com-deficiencia

 

É possível resistir ao bullying?

Para estudiosos do tema, a resposta é positiva: sim, é possível resistir à intimidação sistemática.

Como?

A resposta está na capacidade da criança e do jovem em aprender a lidar com frustrações e a enfrentar seus problemas e conflitos – mas sempre com o apoio e a orientação de seus pais e professores.

Para desenvolver essas atitudes, é importante que:

  • Passem por frustrações (como receber um “não”) e saibam que podem contar com apoio dos pais e professores;
  • Aprendam a assumir a responsabilidade por suas ações, sem ficar procurando culpados;
  • Aprendam a respeitar os demais e saibam que o controle sobre os acontecimentos é relativo, pois a vida em sociedade tem leis e regras.

 

Presença do preconceito na escola

Alunos com deficiência, seja ela qual for, podem ser alvo de atitudes caracterizadas por preconceitos, que erguem as barreiras atitudinais já mencionadas. Felizmente, também há muitas pessoas que respeitam as pessoas com deficiência e, mais do que isso, são amigas delas.

Há alguns casos de mães que desestimulam seus filhos de brincar com crianças com deficiência, porque acham que elas não conseguem brincar e vão ficar tristes, ao serem convidadas. Felizmente essa mentalidade está mudando, à medida que a inclusão avança.

As barreiras atitudinais, decorrentes de preconceito, podem fazer com que a criança desenvolva baixa autoestima e, em consequência, tenha sua saúde mental comprometida e também sua capacidade de aprendizado.

Conversar sobre como nosso banco de dados interno funciona, o que são preconceitos, as barreiras que erguem entre as pessoas, a dor e o sofrimento que causam pode diminuir significativamente a prática de bullying e a violência dentro dos muros da escola.

A prática do bullying pertence ao campo subjetivo e está ligada à ideia de preconceito (um juízo antecipado que não passa pelo crivo da razão, juízo este que existe na cabeça de um indivíduo ou grupo de indivíduos que rejeita ou não aceita o outro devido à cultura, sexualidade, religião, etnia, nacionalidade, idade, etc.).[17]

A seguir, gráfico que exemplifica preconceito e barreiras atitudinais. No retângulo superior está escrito: “Preconceito”. No retângulo abaixo: “Pessoas com esse sotaque não têm educação. Digo isso na frente de qualquer um”. Abaixo, retângulo com as palavras “barreiras atitudinais”: abaixo dele, à esquerda: retângulo menor com a palavra “discriminação” e à direita, retângulo com a palavra “bullying”.

preconceito e barreira

Imagem 1 – Preconceito e atitudes que pode gerar: discriminação e/ou bullying.


Notas:

[17] https://www.geledes.org.br/escolas-ainda-confundem-racismo-com-bullying/?utm_medium=ppc&utm_source=onesignal&utm_campaign=push&utm_content=onesignal

 

Professores e barreiras atitudinais

Todos nós, seres humanos, temos preconceitos, que fazem parte de nossa natureza. Isso inclui professores e participantes da equipe escolar.

Fabiana Tavares e José Francisco de Lima (2007) pesquisaram o comportamento de educadores para identificar como reagem, ao receber um aluno com deficiência.[18]

Aqui estão algumas de suas constatações, das quais a mais abrangente é esta: geralmente as barreiras atitudinais não aparecem isoladas, mas sim são sobrepostas – ou seja, é possível identificar a presença de mais de uma barreira em nós.

São elas:

  • Ignorância: desconhecer a potencialidade do aluno com deficiência;
  • Medo: ter receio de receber um aluno com deficiência ou mesmo um colega de profissão com deficiência, por não saber o que dizer ou de fazer alguma coisa errada;
  • Rejeição: recusar-se a interagir com a pessoa com deficiência: seja aluno, familiar ou colega da educação;
  • Percepção de menos valia: avaliação depreciativa da capacidade, concluindo, a priori, que o aluno com deficiência não poderá fazer alguma tarefa ou só poderá fazer em parte;
  • Inferioridade: acreditar que o aluno com deficiência não acompanhará os demais. Essa percepção é enganosa, pois cada um tem seu ritmo de aprendizagem. Portanto, ninguém acompanha ninguém; cada um faz seu percurso singularmente, mesmo que a proposta docente seja coletiva e única;
  • Piedade: sentir-se pesaroso e ter atitudes protetoras em relação ao aluno com deficiência. Estimular a classe a antecipar as demandas dos alunos com deficiência, realizando as atividades por eles e atribuindo-lhes uma pseudoparticipação;
  • Adoração do herói: considerar um aluno como sendo “especial”, “excepcional” ou “extraordinário”, apenas porque ele fez uma simples atividade escolar; elogiar exageradamente a pessoa com deficiência pela mínima ação realizada na escola, como se ela não tivesse capacidade de interagir com o grupo e o ambiente;
  • Exaltação do modelo: usar a imagem do estudante com deficiência como modelo de persistência e de coragem diante dos demais;
  • Percepção de incapacidade intelectual: evitar a matrícula de alunos com deficiência, não deixando que eles demonstrem suas habilidades e competências. Achar que ter na sala de aula um aluno com deficiência vai atrapalhar o desenvolvimento de toda a turma;
  • Efeito de propagação (ou expansão): supor que a deficiência de um aluno afeta negativamente outros sentidos, habilidades ou traços da personalidade. Por exemplo: achar que a pessoa com deficiência auditiva tem também deficiência intelectual;
  • Estereótipos: pensar no aluno com deficiência comparando-o com outros com a mesma deficiência, construindo generalizações positivas e/ou negativas sobre as pessoas com deficiência;
  • Compensação: acreditar que os alunos com deficiência devem ser compensados de alguma forma: minimizar a intensidade das atividades pedagógicas; achar que os alunos com deficiência devem receber vantagens extras;
  • Substantivação da deficiência: referir-se à falta de uma parte ou sentido da pessoa com se a parte “faltante” fosse o todo. Exemplo: o deficiente mental, o cego, o “perneta”, etc. Essa barreira faz com que o aluno com deficiência perca sua identidade em detrimento da deficiência, fragilizando sua autoestima e o seu desejo de aprender e estar na escola;
  • Comparação: comparar os alunos com e sem deficiência, salientando aquilo que o aluno com deficiência ainda não alcançou em relação ao aluno sem deficiência. Ao comparar, destaca as “falhas”, “faltas” e “deficiências” do aluno com deficiência;
  • Atitude de segregação: acreditar que os alunos com deficiência só poderão conviver com os de sua mesma faixa etária até um dado momento e que, para sua escolarização, eles deverão ser encaminhados à escola especial, com profissionais especializados;
  • Adjetivação: classificar a pessoa com deficiência como “lenta”, “agressiva”, “dócil”, “difícil”, “amorosa”, “aluno-problema”, etc. Essa adjetivação interfere de forma negativa na formação da identidade dos alunos;
  • Particularização: afirmar, de maneira restritiva, que uma pessoa com deficiência só aprenderá com outra com a mesma deficiência;
  • Baixa expectativa: acreditar que os alunos com deficiência devem realizar apenas atividades mecânicas, exercícios repetitivos; acreditar que o aluno com deficiência não conseguirá interagir numa sala regular. Muitos professores passam o ano letivo propondo exercícios de cópia e de repetição. Isso não ajuda o aluno a descobrir suas inteligências, competências e habilidades múltiplas e reforça o estereótipo.

Notas:

[18] http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1283

 

Como surgem as barreiras atitudinais?

Caro Professor, aqui termina a primeira parte do Capítulo 5 do “Guia do Educador Inclusivo”, cujo tema é o papel que a escola tem no exercício da convivência. Falamos sobre preconceito, discriminação e bullying.

Trouxemos dicas de como lidar com esses comportamentos e iniciativas de algumas escolas.

Nesta segunda parte, convidamos você a pensar a origem desses comportamentos. De onde vêm essas atitudes, que erguem verdadeiros “muros” entre as pessoas, sejam alunos ou adultos e que causam sofrimento?

Esses “muros”, que impedem que as pessoas se vejam como verdadeiramente são, além de rótulos, são chamados barreiras atitudinais.

 

A escola e as barreiras atitudinais

Barreiras atitudinais sempre existiram; elas se modificam ao longo do tempo, de acordo com as transformações sociais.

A escola está inserida na sociedade e é influenciada pelos modos de pensar e padrões de comportamento excludentes em relação à pessoa com deficiência e a outros grupos considerados “diferentes”.

É importante conhecer estes padrões de comportamento excludentes e conversar sobre sua existência e estratégias para enfrenta-los, na escola, porque as barreiras atitudinais afetam o desenvolvimento emocional e a capacidade de aprendizagem. Quem consegue aprender quando está sendo ameaçado ou está passando por uma situação tensa, em sua família?

O conceito de competências socioemocionais é útil para compreender as barreiras atitudinais e principalmente para fortalecer a acessibilidade atitudinal.

Acessibilidade atitudinal

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948)[19] estabeleceu uma série de Direitos que estão válidos até hoje e são a base para Convenções, Declarações e outros documentos. Estes direitos abrangem todas as pessoas, inclusive as que têm deficiência.

Porém, há um direito “novo”, que veio atender às características das pessoas com deficiência: é o Direito à Acessibilidade, fundamentado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Art. 3, item (f) e Art. 9[20].

Romeu Sassaki identificou seis dimensões contidas no conceito de acessibilidade[21]; dentre eles está o conceito de acessibilidade atitudinal:

Ausência de preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações, como resultado de programas e práticas de sensibilização e de conscientização das pessoas em geral e da convivência na diversidade humana.

Alguns autores consideram a acessibilidade atitudinal como sendo a principal, pois é a atitude da pessoa em relação à Inclusão que estimula a remoção dos outros tipos de barreiras.

Para que a Inclusão aconteça de fato, é preciso que as pessoas estejam próximas umas das outras e que interajam.

Não existe Inclusão à distância.


Notas:

[19] https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf

[20] http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/convencaopessoascomdeficiencia.pdf

[21] http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2016/12/Livro_Acessibilidade_Cap1.pdf

 

A escola e o preconceito

A escola é o primeiro ambiente social que a criança frequenta – e onde se espera que permaneça pelo menos até completar o Ensino Fundamental. Assim sendo, é importante que ela promova a conscientização da existência do preconceito, envolvendo a todos: da Direção às equipes administrativas e operacionais, passando por professores, alunos e suas famílias e principalmente promova mudança de atitudes.

Assim como o mundo corporativo, a escola também está recebendo, em números crescentes, pessoas que até recentemente ficavam de fora de seus muros: crianças com deficiência, filhos de refugiados ou imigrantes, moradoras em áreas de risco social.

Sua chegada em geral causa estranhamento e desconforto: elas não se parecem conosco, falam outro idioma, têm costumes diferentes e muitas vezes não sabemos como atender suas necessidades e demandas.

Esse é o momento para identificar a existência do preconceito e falar sobre ele, com todos os membros da comunidade escolar, inclusive com os alunos.

Ao tomar esta atitude, contribuímos para explicitar os preconceitos, que estão embutidos no cotidiano, como estas frases que ainda hoje são ouvidas:

  • Meninos são fortes e não podem chorar. Só meninas choram;
  • Isso é coisa de mulherzinha;
  • Ele é gay, mas nem parece, se veste igual a todo mundo;
  • Você é tão linda, nem parece negra.

Promover a reflexão sobre os preconceitos e principalmente rever comportamentos fortalece a cultura da inclusão, formando crianças e jovens que aprendem a valorizar e a conviver com a diferença desde cedo na vida.

Competências socioemocionais

Conceito

Para o escritor americano Paul Tough[22]:

As competências socioemocionais não são inatas e fixas: “elas são habilidades que você pode aprender; são habilidades que você pode praticar; e são habilidades que você pode ensinar”, seja no ambiente escolar ou dentro de casa[23]

O conceito de competências socioemocionais é muito recente: nasce no bojo da reflexão sobre a educação do século 21, que vê a educação como um processo de formação integral do aluno, indo além da transmissão de conteúdos.

Para que esse processo de formação integral ocorra, é preciso acrescentar as competências socioemocionais – que até eram consideradas apenas eventualmente – de forma intencional. A intencionalidade é que faz a diferença.

A nova visão não implica em deixar de lado o grupo de competências conhecidas como cognitivas (interpretar, refletir, pensar abstratamente, generalizar aprendizados), até porque elas estão relacionadas estreitamente com as socioemocionais[24].

A Psicologia, a Neurociência, a Economia e a própria Educação têm desenvolvido pesquisas que revelam que o desempenho cognitivo dos alunos é beneficiado quando as competências socioemocionais são desenvolvidas e fazem parte do planejamento didático e do PPP – Projeto Político Pedagógico[25] da escola.

O projeto político-pedagógico (PPP) é um documento que define as diretrizes estratégicas e operacionais de uma instituição de ensino. Em outras palavras, pode ser entendido como a expressão da identidade da escola, traduzindo seu processo histórico, suas crenças, valores e as práticas pedagógicas que dimensionam suas ações. No contexto da educação inclusiva, espera-se que o PPP expresse a igualdade de direitos e a valorização das diferenças como princípios fundamentais e inegociáveis da instituição, a serem respeitados em todas suas atividades.

Competências socioemocionais e bullying

O século 21 traz novas demandas para todas as crianças e jovens, quaisquer que sejam suas características de etnia, condição de deficiência: cada vez mais, espera-se que sejam protagonistas de seu desenvolvimento e de suas comunidades.

O papel da escola é prepará-los para essa nova realidade, indo além do ensino tradicional, que enfatiza fortemente as competências cognitivas. Agora é necessário incorporar estratégias de aprendizagem que sejam mais flexíveis e abrangentes.

O estímulo ao desenvolvimento das competências socioemocionais – mantendo as competências cognitivas – vai preparar crianças e jovens para viver da forma mais plena possível no século 21.

Esse desenvolvimento significa aprender a controlar emoções, alcançar objetivos pretendidos, ter relações sociais marcadas pelo respeito e desenvolver sentimentos de empatia para com os outros.

Estimular as competências socioemocionais significa elaborar práticas pedagógicas inclusivas, que são mais justas e eficazes porque contemplam todos os alunos, qualquer que sejam suas características.

Pesquisas revelam que alunos que têm competências socioemocionais mais desenvolvidas apresentam maior facilidade de aprender os conteúdos acadêmicos[26].

Portanto, caro Professor, investir nas competências socioemocionais – juntamente com as competências cognitivas – pode ter os seguintes resultados:

  • Contribuir para a qualidade do aprendizado de todos os alunos;
  • Contribuir para fortalecer a Cultura da Inclusão na escola;
  • Contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade melhor para todos, porque será mais justa e mais sustentável.

Competências socioemocionais e o PPP

Como introduzir práticas que desenvolvam as competências socioemocionais na escola?

As competências socioemocionais são a base para criar um ambiente com acessibilidade atitudinal. Projetos com este objetivo devem estar contemplados no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, visando:

  • Desenvolver o autoconhecimento e o conhecimento do coletivo, através de rodas de conversa sobre diversidade, barreiras e iniciativas pessoais e coletivas;
  • Desenvolver estratégias de parceria com a comunidade e de trabalho em rede, para ações conjuntas que acolham e apoiem todos que encontrem barreiras atitudinais.
    Essas parcerias envolvem:
    • Reuniões com especialistas para estudo de casos, palestrantes e representantes de outros grupos, para trocar experiências e conversar sobre relacionamento interpessoal, enfrentamento de barreiras atitudinais e situações de bullying;
    • Intercâmbio de alunos de outros lugares do País ou do mundo, para contar suas experiências, em encontros presenciais ou virtuais;
  • Identificar alunos em situação de vulnerabilidade e risco e orientar suas famílias e os professores;
  • Promover um ambiente escolar seguro, que respeite os princípios da ética, confiança e acolhimento;
  • Mostrar que as ações de proteção produzem melhores resultados a nível pessoal e coletivo. A conquista de um grupo pode inspirar e motivar outros grupos;
  • Criar e implementar estratégias que reforcem a aprendizagem colaborativa, que aconteçam na sala de aula e que tenham potencial para atingir a comunidade;
  • Compor uma equipe multiprofissional – inclusive com parceiros de órgãos públicos ou de entidades da comunidade, que crie condições de manter e acompanhar projetos e programas estruturados pela escola.

Relatos de iniciativas em rede

A escola faz parte de um bairro, de uma comunidade, da sociedade; não está isolada, como se fosse uma ilha. Seus alunos, professores, funcionários e gestores fazem parte dessa comunidade.

Por isso, é importante que ela atue em rede, fazendo contatos e articulando ações conjuntas com Universidades (por exemplo, recebendo estudantes para estagiar), com entidades de atendimento a pessoas com deficiência e órgãos públicos (Saúde, Assistência Social e outros), onde cada um exerce seu papel, em sintonia. Agindo assim, os resultados se potencializam. E, o mais importante: nosso aluno recebe um atendimento de mais qualidade, que é exatamente o que desejamos.

Apresentamos, a seguir, alguns relatos, que estão publicados no site www.diversa.org.br . Lá há muitos outros. Está convidado a visita-lo!

  • Poemas viram animação digital em aulas de literatura na EJA
    Na cidade de São Paulo, professora do AEE e intérprete de Libras utilizou a técnica de animação digital em uma classe da EJA – Educação de Jovens e Adultos, com base em poemas analisados na aula de Literatura. A atividade envolveu alunos surdos e ouvintes, a professora de língua portuguesa, um ilustrador profissional e intérprete de Libras.
    http://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/poemas-viram-animacao-digital-em-aulas-literatura-eja

O PPP e o diálogo sobre Inclusão

A Educação Inclusiva implica na transformação da escola. Para alcançar esse objetivo, a Inclusão deve constar do Projeto Político Pedagógico e a escola, por sua vez, deve contemplar ações no sentido de garantir a efetiva participação e aprendizagem dos estudantes com deficiência.

A inclusão de alunos com deficiência envolve decisões pedagógicas, uso de materiais didáticos, tecnologias assistivas (conforme a necessidade), e principalmente um olhar para questões atitudinais e socioemocionais – de forma contínua e permanente. Desta forma, a escola pode se tornar um espaço de escuta, empatia e respeito.

Para isso é preciso:

  • Identificar demandas específicas que podem tornar-se pontos críticos que dificultem a inclusão de alunos com deficiência, através de:
    • Conversas periódicas com alunos, famílias e professores para identificar os problemas de convivência e dificuldades de entendimento sobre o que é a inclusão na escola;
    • A partir desse espaço de escuta, traçar um plano de ação para atender as demandas, envolvendo toda a comunidade escolar.
  • Criar comitês (ou algo semelhante) com alunos, professores, gestores e famílias para acompanhamento do processo inclusivo. Os participantes serão considerados representantes da comunidade escolar. Devem ser renovados a cada período, para que todos possam ter a oportunidade de passar pela experiência e colaborar com suas ideias e dúvidas sobre a inclusão.

Ações com estes objetivos incentivam os alunos com deficiência e seus colegas de turma a criarem uma identidade de grupo.

Escola, família e questões socioemocionais

O trabalho da escola com a família é fundamental, já que é nela que acontecem as primeiras experiências afetivas e a aprendizagem dos papéis e funções dentro de um grupo.

É necessário que a escola receba a família e crie espaços de escuta e orientação, individual ou em grupo.

Em geral, os contatos entre familia e escola tratam de assuntos objetivos: notas, sistema de avaliação ou currículo. As questões socioemocionais ou fatos que levam a conversa para barreiras atitudinais, envolvendo alunos com deficiência ou outros alunos que necessitam de apoio para essas questões de vulnerabilidade e risco, não são mencionados.

Para resolver estas questões, é essencial buscar a parceria com a família, que é parte fundamental desse processo. Precisamos compreender os valores e princípios da família, sua forma de agir e atuar em casa. Assim, ampliamos a nossa capacidade de atuar no ambiente da escola e compreender os impactos no comportamento dos alunos. Nem sempre é fácil para família falar sobre a deficiência da criança ou do adolescente. E é nesse momento que a sensibilidade da equipe conta. Desenvolver a empatia com a família, conseguir respeitar o seu tempo e mostrar a ela que o trabalho é conjunto, faz toda a diferença.

Escola & Família = Parceria de Sucesso

A professora Maria de Fátima Destro de Arruda[27], da rede pública de Caieiras, São Paulo, adotou uma estratégia para se aproximar das famílias. Os resultados foram positivos.

Ela conta como tudo começou:

Muito tem sido debatido e escrito sobre a importância do bom relacionamento entre o professor e o aluno. No entanto, no dia a dia em sala de aula, nem sempre a convivência harmônica e segura acontece. Independente de quem seja a culpa pela falta de entrosamento, cabe ao educador tentar estabelecer condições que propiciem a boa relação afetiva em nome da aprendizagem e também do crescimento pessoal. Tudo que os professores fazem em sala de aula é percebido pelos alunos, o que também influencia na posição que eles ocupam no inconsciente da turma. Isso traz aos educadores um ‘poder’ que tem a possibilidade de influenciar osalunos em suas ideias e valores. Deste modo, ė preciso ser humilde o suficiente para adentrar ao seu lar e estreitar os laços.

A ideia de visitar as casas dos alunos surgiu em 2014, quando assumi uma sala de aula de quarto ano do ensino fundamental. Eles tinham sérios problemas de comportamento e desempenho, e eu precisava conhecê-los para estabelecer um vínculo maior com as famílias. Então, em uma roda de conversa, nasceu o projeto “Professora em minha casa”.

Quando comuniquei às famílias a vontade de visitar seus lares, as crianças relataram que os pais acharam a ideia estranha, mas, mesmo assim, aceitaram. Nascia, então, o projeto com autorização e incentivo da diretoria da Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Zovaro, em Caieiras (SP).

Escolhi começar pela casa de um aluno que precisava muito de um novo olhar, de maior dedicação e afeto, pois era considerado pela escola como o “pior”. Não sabia como seriam de fato esses encontros e como seriam as conversas, nem se o projeto daria certo. Mas logo descobri que em uma única visita, sem formalidades, seja para tomar um café ou até mesmo para um almoço, eu poderia aprender muito sobre meus alunos.

Cada encontro resultava em uma história ou nova estratégia para ser aplicada em aula. Após a visita, o aluno se tornava protagonista na sala, pois no dia seguinte era sua função contar para a turma como foi receber a professora em sua casa e fazia uma produção de texto.

Os relatos me enchiam de lágrimas e davam a certeza da importância que eu tinha na vida das crianças.

Para continuar a ler: http://porvir.org/professora-visita-casa-dos-alunos-e-usa-afeto-para-melhorar-desempenho-da-turma


Notas:

[22] “Como as crianças aprendem”, Editora Intrínseca, 2014.

[23] http://porvir.org/especiais/socioemocionais

[24] http://porvir.org/especiais/socioemocionais

[25] http://diversa.org.br/educacao-inclusiva/como-transformar-escola-redes-ensino/gestao-escolar/projeto-politico-pedagogico-ppp/

[26] http://porvir.org/especiais/socioemocionais

[27] http://porvir.org/professora-visita-casa-dos-alunos-e-usa-afeto-para-melhorar-desempenho-da-turma

 

Concluindo o capítulo 5

Caro Professor, o tema central deste capítulo é a convivência, palavra que tem os seguintes significados:<

Modo de vida em que se pode partilhar; vida em comum; convívio diário.

O relacionamento estabelecido entre pessoas que convivem diariamente; convívio próximo e contínuo; intimidade.

Ação de coexistir (num mesmo local) de maneira harmoniosa.

Destes significados, destacamos: convívio próximo e harmonioso.

Estes significados traduzem o ideal da Inclusão.

Conversamos sobre o outro lado da Inclusão: o estranhamento daquele que é visto como diferente, como o Outro, muitas vezes até ameaçador, apenas porque é desconhecido e contra o qual se erguem muros de isolamento e de invisibilidade. Outras formas de se defender contra o Outro, o que não reconheço como sendo igual a mim é fazer zombaria, colocar apelidos pejorativos ou até mesmo agredir fisicamente.

Também conversamos sobre estratégias criação de oportunidades que podem prevenir ou mesmo inverter estas situações, tão indesejáveis: tomar consciência destes pensamentos e atitudes; buscar compreendê-los; atuar em rede, envolvendo toda a comunidade escolar, famílias e instituições da comunidade; conversar com franqueza sobre estas situações, buscar sápidas e registrá-las.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.

Nelson Mandela, 1995

Referências do capítulo 5

As referências constantes no Capítulo 5 foram verificadas e estavam ativas em julho de 2018.

BRASIL. Decreto Executivo nº 6.949/2009. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm

BRASIL. Lei nº 13.185/2015 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13185.htm

ONU – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – Brasília, 2012. 4.a edição revista e comentada. http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/convencaopessoascomdeficiencia.pdf

ONU – Organização das Nações Unidas – Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf

CANHA, Lúcia Neto e Sônia Mota Neves. Programa de treino de competências pessoais e sociais: desenvolvimento de um modelo adaptado a crianças e jovens com deficiência / Associação de Paralisia Cerebral de Odemira, [Lisboa]. Inst. Nac. para a Reabilitação, D.L. 2008. http://www.inr.pt/download.php?filename=Promo%26ccedil%3B%26atilde%3Bo+de+compet%26ecirc%3Bncias+pessoais+e+sociais+%3A+desenvolvimento+de+um+modelo+adaptado+a+crian%26ccedil%3Bas+e+jovens+com+defici%26ecirc%3Bncia+%3A+manual+pr%26aacute%3Btico&file=%2Fuploads%2Fdocs%2FEdicoes%2Fforacol%2FCompSociais2.pdf

GUTIERREZ, Fabiana. Clara cabelo laranja. Ilustrações Carla Douglass. Cria Editora, 2017. Alfenas, MG.

LIMA, Francisco José de; TAVARES, Fabiana S. S. Barreiras atitudinais: obstáculos à pessoa com deficiência na escola. In SOUZA, Olga Solange Herval (org.). Itinerários da Inclusão Escolar: múltiplos olhares, saberes e práticas. Porto Alegre: AGE, 2007.

Pesquisa Nacional sobre o ambiente educacional no Brasil. Realização: ABGLT Secretaria da Educação. 2016. http://static.congressoemfoco.uol.com.br/2016/08/IAE-Brasil-Web-3-1.pdf

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão no lazer e turismo: em busca da qualidade de vida. São Paulo: Áurea, São Paulo, 2003, p. 39-42.

TOUGH, Paul – “Uma questão de caráter”, citado em http://porvir.org/especiais/socioemocionais

Artigos publicados em sites

Bullying não é brincadeira de criança. http://bullyingnaoebrincadeiradcrianca.blogspot.com/2011/06/exclusao-social-e-bullying-silencioso-e.html

Diversa – Projeto Político Pedagógico - http://diversa.org.br/educacao-inclusiva/como-transformar-escola-redes-ensino/gestao-escolar/projeto-politico-pedagogico-ppp

Diversa - Como família e gestão podem trabalhar juntos em caso de bullying na escola? Raquel Antun Paganelli. http://diversa.org.br/forum/como-familia-gestao-podem-trabalhar-juntos-caso-bullying-na-escola

Diversa – Pedagoga auxilia professores a acolher alunos com deficiência - http://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/especialista-inclusao-auxilia-professores-acolher-alunos-deficiencia

Diversa - Escola aposta em acolhimento e atuação em rede para incluir criança em situação de risco - http://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/escola-aposta-em-acolhimento-e-atuacao-em-rede-para-incluir-crianca-em-situacao-de-risco

Diversa - Escola cria projeto de literatura inclusiva após chegada de aluno cego - http://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/escola-cria-projeto-literatura-inclusiva-apos-chegada-aluno-cego

Estácio – pós graduação/MBA - O que são as habilidades cognitivas? http://www.posestacio.com.br/o-que-sao-as-habilidades-cognitivas/noticia/271

Exame - Você pode até não saber mas é preconceituoso no trabalho. https://exame.abril.com.br/carreira/voce-pode-ate-nao-saber-mas-e-preconceituoso-no-trabalho

G1 - 64% de professores relatam bullying entre alunos na internet, diz pesquisa. http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/08/64-de-professores-relatam-bullying-entre-alunos-na-internet-diz-pesquisa.html

Geledés - Escolas ainda confundem racismo com bullying. https://www.geledes.org.br/escolas-ainda-confundem-racismo-com-bullying/?utm_medium=ppc&utm_source=onesignal&utm_campaign=push&utm_content=onesignal

Lunetas - A vez e a voz das crianças: por dentro da EMEI Dona Leopoldina - https://lunetas.com.br/emei-dona-leopoldina-educacao-infantil

Nova Escola - Como lidar com brincadeiras que machucam a alma. https://novaescola.org.br/conteudo/1490/como-lidar-com-brincadeiras-que-machucam-a-alma

Nova Escola - 21 perguntas e respostas sobre bullying. https://novaescola.org.br/conteudo/336/bullying-escola#

Nova Escola – Bullying contra alunos com deficiência - https://novaescola.org.br/conteudo/1458/bullying-contra-alunos-com-deficiencia

Nova Escola - Agressões já atingiram 68% dos jovens LGBT em escolas. https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1670/agressoes-ja-atingiram-68-dos-jovens-lgbt-em-escolas

Porvir - Professora visita casa dos alunos e usa afeto para melhorar desempenho da turma - http://porvir.org/professora-visita-casa-dos-alunos-e-usa-afeto-para-melhorar-desempenho-da-turma

Porvir – Especial Socioemocionais - http://porvir.org/especiais/socioemocionais

Profissional & Negócios - Como os vieses inconscientes prejudicam a diversidade nas corporações? http://profissionalenegocios.com.br/como-os-vieses-inconscientes-prejudicam-diversidade-nas-corporacoes

Santander Negócios e Empresas - Você sabe o que é o viés inconsciente? Veja como identificá-lo. https://santandernegocioseempresas.com.br/detalhe-noticia/voce-sabe-o-que-e-o-vies-inconsciente-veja-como-identifica-lo-.html

Tudo bem ser diferente: E se a professora do seu filho fosse uma travesti? https://tudobemserdiferente.wordpress.com/2018/01/30/e-se-a-professora-do-seu-filho-fosse-uma-travesti

Saiba mais

Textos

Bullying

Abuso sexual/direito ao próprio corpo

Comunicação

Empatia

Competências socioemocionais

Aprendizagem colaborativa

Softwares

Vídeos

Bullying

Competências socioemocionais

Acessibilidade atitudinal

Direito ao exercício da amorosidade e sexualidade

  • Campanha “Defenda-se - Autodefesa de crianças contra violência sexual” – vídeos sobre situações do cotidiano; download gratuito e com recursos de audiodescrição, Libras, português e espanhol - http://defenda-se.com/videos/#
  • Pipas no ar – Documentário educativo, com apoio da UNESCO.

Versão com legendas – português - https://www.youtube.com/watch?v=n-WbxhDGtIU&feature=youtu.be

Versão com legendas – espanhol - https://www.youtube.com/watch?v=RG-zPn0trNI&feature=youtu.be

Versão com legendas – inglês - https://www.youtube.com/watch?v=Ap1Y5-IYBqU&feature=youtu.be

Livros infantis

Há livros para crianças que abordam o tema da deficiência. Alguns foram escritos por pessoas com deficiência.

Veja dicas em:

Há muitos outros títulos, sobre temas da deficiência, diversidade, preconceito, empatia. Vale a pena pesquisar.

Imagem

Imagem 1 – Preconceito e atitudes que ele pode gerar: discriminação e/ou bullying